COOPERATIVISMO - A preparação dos dirigentes para um tempo novo

Governança, fidelização e intercooperação: aceitação, participação e comprometimento associativo.

O ASSOCIADO QUE NÃO ENTENDE O QUE É ATO COOPERATIVO É UM CLIENTE DISFARÇADO DE DONO

O cooperativismo ainda é jovem. Pouco mais de cento e oitenta anos desde Rochdale, uma doutrina em construção e não um monumento acabado. É exatamente aí que residem a beleza e o risco: ele precisa crescer antenado ao tempo que vivemos, sob pena de envelhecer antes de amadurecer.

GOVERNANÇA E PROFISSIONALIZAÇÃO

Durante décadas convivemos com a figura do dirigente que decidia, executava e fiscalizava a si mesmo, quase sempre por dedicação sincera, raramente por má fé, mas invariavelmente com risco. O crescimento patrimonial tornou esse arranjo insustentável. O associado acumula três papéis que frequentemente confunde: é dono, é usuário e, quando eleito, é gestor. Quando o conselho invade a execução, a diretoria se paralisa. Quando a diretoria captura o conselho, a assembleia vira ritual. Profissionalizar não é entregar a cooperativa aos técnicos, é garantir que a decisão estratégica pertença ao quadro social e a execução pertença a quem tem competência comprovada. Empresa que serve a pessoas é diferente de empresa que serve ao capital, e essa diferença precisa aparecer no organograma, não apenas no discurso.

FIDELIZAÇÃO E ENGAJAMENTO DE ASSOCIADOS

Fidelidade não se decreta em estatuto, nasce de convicção. Uma cooperativa cujo associado entrega a produção apenas quando o preço é melhor não é propriamente uma cooperativa, é uma prestadora de serviços com assembleia anual. Por isso a educação cooperativista não pode ser palestra isolada nem folheto na porta da assembleia. É programa continuado, com currículo, metodologia, indicadores e avaliação, sustentado por quatro dimensões: a gratidão pelo que se recebeu de quem veio antes, a pertença à comunidade que a cooperativa organiza, o reconhecimento pelo esforço aportado e o clima institucional que faça daquele lugar um espaço onde as pessoas gostam de estar. Onde essas quatro dimensões estão vivas, a fidelidade é consequência. Onde estão ausentes, nenhum programa de pontos as substitui.

MULHERES E JOVENS COMO QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA

O quadro social envelheceu, e em muitas cooperativas agropecuárias a média de idade dos associados passa dos cinquenta e cinco anos. Sem sucessão no campo não há sucessão na cooperativa. Comitês femininos, núcleos de jovens e programas de formação de novas lideranças não são atividades acessórias do departamento social, são a linha de produção dos futuros conselheiros. E onde as mulheres entraram na governança, os índices de participação em assembleia, de adimplência e de fidelidade subiram, não por delicadeza, mas por método.

INTERCOOPERAÇÃO E COMPETITIVIDADE DE MERCADO

Este é o eixo mais estratégico e o menos praticado, porque exige que dirigentes abram mão de protagonismo em nome da escala. Cooperativa que compete com cooperativa vizinha pelo mesmo associado, pelo mesmo grão, pelo mesmo leite e pelo mesmo crédito enfraquece as duas e fortalece exatamente aquele concorrente que ambas dizem enfrentar. A lógica de quem acertou foi sempre a mesma: compartilhar aquilo que custa caro e não diferencia, como sistemas, laboratórios, logística, marca, pesquisa e inteligência de dados, para competir onde realmente importa. Diante da rastreabilidade, da regulação de carbono, da digitalização, da inteligência artificial e do novo desenho tributário, nenhuma cooperativa isolada de porte médio custeia essa agenda sozinha. Intercooperar deixou de ser virtude doutrinária para ser condição de viabilidade econômica.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS TRÊS EIXOS

Governança sem engajamento produz cooperativas eficientes e vazias. Engajamento sem governança produz cooperativas afetuosas e frágeis. Intercooperação sem as duas anteriores produz apenas fusões mal resolvidas. A pergunta que ouço dos dirigentes no corredor, depois de cada palestra, é sempre a mesma, formulada de mil maneiras: como crescer sem perder a identidade, como ser competitivo sem ser predador, como profissionalizar sem descaracterizar. Essa inquietação é saudável, é o sinal de que o cooperativismo continua sabendo quem é.

A CONVICÇÃO ANTES DO REGULAMENTO

Meu primeiro contato com o cooperativismo não foi acadêmico, foi ver homens simples, ao lado de meu pai Auri Fábio Lotério, decidindo juntos aquilo que sozinhos não conseguiriam. A segunda lição veio na cooperativa dos alunos do Colégio Agrícola de Camboriú, minha primeira assembleia e minha primeira prestação de contas. Quem vive uma cooperativa aos dezessete anos entende, aos cinquenta, por que a assembleia não pode virar formalidade. A cooperativa é feita de gente, e gente se conduz pela convicção, não pelo regulamento. Quem cuidar da pessoa terá cuidado da instituição. Quem cuidar apenas da instituição acabará perdendo as duas.

Leia o artigo completo, COOPERATIVISMO: GOVERNANÇA, FIDELIZAÇÃO E INTERCOOPERAÇÃO, A PREPARAÇÃO DOS DIRIGENTES PARA UM TEMPO NOVO, disponível gratuitamente nos portais www.ainor.com.br e www.loterio.com.br. Baixe o PDF, guarde-o e aprofunde os pontos que mais interessam à realidade da sua cooperativa.

AINOR LOTÉRIO – Palestras e cursos E-mail: ainorfloterio@gmail.com WhatsApp: (47) 99967-5010

COOPERATIVISMO-A-preparacao-dos-dirigentes-para-um-tempo-novo-.pdf Clique para abrir ou baixar o PDF

Galeria de Fotos