TUDO COMEÇA NO CHÃO

A agricultura é a primeira escola da humanidade, e a Agroeducação é a alfabetização que reconecta pessoas, famílias e instituições à origem de tudo.

A CIDADE NÃO É O OPOSTO DO CAMPO. A CIDADE É UMA CONSEQUÊNCIA DO CAMPO. Não existe casa, automóvel, tecnologia ou projeto de vida sem aquilo que a terra produz, e quando essa consciência se perde nasce uma geração que acredita que o alimento vem do supermercado. Agroeducação é devolver a todos a consciência da origem. Tudo começa no chão.


TUDO COMEÇA NO CHÃO

A agricultura é o primeiro gesto criador da humanidade. Antes de qualquer ciência, de qualquer indústria ou tecnologia, existia a terra, e diante dela o ser humano semeando vida. Quem planta e quem cria vive com mais alegria, porque participa do milagre diário da existência, esse ciclo de ver nascer, crescer, frutificar e colher. Nenhum livro substitui a lição de uma semente que rompe o solo.

O PRIMEIRO GESTO CRIADOR

Toda civilização nasceu quando alguém decidiu ficar. A caça e a coleta mantinham o homem em movimento, mas foi o gesto de enterrar uma semente e esperar por ela que fundou a permanência, a casa, a família, a vila, a lei e a cultura. A palavra cultura vem exatamente daí, de cultivar. Não é figura de linguagem, é genealogia. Cultivar o solo e cultivar o espírito são o mesmo verbo aplicado a duas terras diferentes. Por isso a agricultura não é um setor da economia entre tantos outros. Ela é o princípio, no duplo sentido da palavra, o começo cronológico e o fundamento permanente. Um país pode esquecer disso por algumas décadas, mas a fome se encarrega de lembrar.

EDUCAR É CULTIVAR

Quem conhece o plantar, o crescer e o colher, quem entende as quadras do ano, o esforço e o tempo certo, esse sabe educar melhor. Porque educar é cultivar, e a sequência é rigorosamente a mesma, preparar o solo, semear valores, regar atitudes, esperar com paciência e colher resultados. O agricultor sabe aquilo que a pressa contemporânea desaprendeu, que existe um tempo entre a semeadura e a colheita e que esse tempo não se negocia. Nenhuma lavoura amadurece porque o lavrador gritou com ela. Nenhum filho amadurece porque o pai perdeu a paciência. A terra é a grande professora da espera fecunda, e a espera fecunda é a matéria que mais falta nas escolas, nas empresas e nas famílias do nosso tempo.

NADA EXISTE SEM O QUE O CAMPO PRODUZ

Este é um dos tentáculos básicos da Agrosofia, compreender que o campo é o berço de todas as demais áreas do conhecimento e da ação humana. O chão dá origem ao alimento, à madeira, às fibras, às energias, às pedras e às rochas que estruturam as nossas cidades, e também aos sonhos que sustentam o nosso futuro. O celular mais avançado do mundo é feito de minério extraído do solo e movido por energia que a terra e o sol produziram. Quando a consciência da origem se perde, a ignorância deixa de ser inocente e passa a ser perigosa, porque produz decisões públicas e privadas desconectadas da realidade que as sustenta.

A PÁTRIA QUE SE RECONHECE NO SOLO

Até o Hino Nacional carrega versos profundamente agrícolas. Terra, solo, seio da pátria, gigante pela própria natureza, florão da América, campos e florestas. A nação se reconhece na força do seu solo antes de se reconhecer em qualquer instituição. É a agricultura que molda a identidade do Brasil, do cafezal ao trigo, do arroz ao leite, da uva à soja, do pequeno agricultor familiar ao grande produtor. Cantamos a terra sem perceber que estamos cantando a agricultura.

O EVANGELHO FALA A LÍNGUA DA LAVOURA

Jesus escolheu parábolas agrícolas para revelar verdades eternas. O semeador, o trigo e o joio, a videira e os ramos, a figueira estéril, a semente de mostarda, o grão que morre para dar fruto. Ele não usou metáforas de palácio nem de mercado, usou a linguagem de quem trabalha o chão, porque sabia que quem entende a agricultura entende a vida, entende Deus e entende o próximo. Há uma teologia inteira contida no gesto de plantar. Semear é um ato de fé, porque se entrega ao escuro aquilo que se tem de mais precioso, confiando que a vida responderá.

AGROEDUCAÇÃO, A ALFABETIZAÇÃO DA ORIGEM

Agroeducação não é ensinar agronomia para todos, é devolver a todos a consciência da origem, é formar cidadãos que saibam de onde vem aquilo que os mantém vivos e que, sabendo, passem a respeitar, a cuidar e a cooperar. Uma criança que planta um pé de feijão em um copo aprende, em vinte dias, três lições que o mundo adulto custa a assimilar, que a vida precisa de cuidado contínuo, que o resultado não depende só da vontade e que a paciência é uma forma de amor. Produzir um Curso de Agrosofia é dar ao Brasil uma nova alfabetização, a alfabetização da terra, da origem e do sentido. Não se trata de nostalgia rural nem de romantismo campestre, trata-se de lucidez estratégica. Um povo que compreende a terra decide melhor sobre meio ambiente, sobre alimentação, sobre economia, sobre cooperação e sobre o próprio futuro.

QUEM FALA DESSE ASSUNTO

Convém dizer de onde vem esta reflexão, porque no tema da terra a autoridade não se cita, se cultiva. Ainor Francisco Lotério é agrônomo formado pela UDESC, filósofo, teólogo, Mestre em Gestão Pública pela UNIVALI e Diácono Permanente. Nasceu na comunidade rural de Campestre, em Vidal Ramos, filho de Érica Laurentino Lotério e de Auri Fábio Lotério, pioneiro do cooperativismo e figura fundadora de cooperativas. Trabalhou na roça desde o tempo da tração animal, construiu quatro décadas de extensão rural pela Acaresc, Emater e Epagri, chegando à diretoria estadual, foi Prefeito de Camboriú e assessor na ALESC. É o criador da Agrosofia e cultiva espécies nativas da Mata Atlântica no Sítio Agrosofia, na Comunidade Rural do Braço, em Camboriú. Não escreve sobre a terra a partir do escritório. Escreve a partir do chão que pisa todos os dias, unindo o rigor técnico do agrônomo, a pergunta do filósofo e a fé do teólogo em um mesmo modo de olhar.

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No fim das contas, tudo depende da terra. A economia depende, a saúde depende, a cultura depende, a paz social depende. Quem despreza o chão despreza a própria base sobre a qual está de pé. Quem honra a terra honra a vida, honra o trabalho de quem produz, honra as gerações que virão e honra o Criador que confiou ao ser humano o cuidado da Casa Comum. Fiquem com Deus e de olho na Terra. A fé nos eleva, a responsabilidade nos enraíza. O artigo integral está disponível em https://loterio.com.br/?s=Agrosofia. Este texto é também palestra e programa de formação, adaptável a escolas, cooperativas, sindicatos, prefeituras, empresas do agronegócio, encontros de agricultura familiar e eventos de sustentabilidade.

Equipe AINOR LOTÉRIO — Palestras e Cursos
E-mail: ainorfloterio@gmail.com
WhatsApp: (47) 99967-5010

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