O QUE JESUS ME DIRIA SOBRE OS PENSAMENTOS QUE ME VISITAM: um exercício de purificação interior entre a disciplina estoica e a liberdade do Evang

Há pensamentos que não pedem licença para entrar. Chegam quando estou sozinho, quando encerro uma tarefa, quando encontro alguém na rua. Alguns deles me envergonham.

Está disponível para leitura, em PDF, o artigo completo “O que Jesus me diria sobre os pensamentos que me visitam: inveja, comparação e memória ferida“, de Ainor Francisco Lotério. Escrito em primeira pessoa, o texto atravessa o estoicismo, os monges do deserto, Agostinho e Girard para chegar a uma pergunta feita em oração e a três práticas concretas de purificação interior. Recomenda-se a leitura integral.

Há pensamentos que não pedem licença para entrar.

O artigo nasce de uma confissão. Depois de décadas dedicadas à extensão rural, ao cooperativismo e ao serviço público, o autor olha para trás e vê pessoas que atravessaram os mesmos anos e acumularam muito mais. Vem então uma comparação que ele não pediu e uma amargura que não cultivou conscientemente. A pergunta que faz em oração é simples e antiga: Senhor, o que fazer com isso?

A regra estoica diz o que não fazer, mas nem sempre diz o que fazer com o que já está dentro.

Epicteto ensinou que não são as coisas que perturbam os homens, mas as opiniões que se tem delas. O autor reconhece o valor dessa disciplina, que sempre defendeu sob o nome de Motivação Racional. Mas descobriu, na vida concreta, que ela higieniza e não cura. É aí que a voz do Evangelho entra com outro tom.

A inveja é uma doença do olhar, não da carteira.

Quando Pedro pergunta sobre o destino do outro discípulo, Jesus responde de modo que parece duro e é libertador: que te importa, tu, segue-me. Na parábola dos trabalhadores da vinha, o diagnóstico não recai sobre o salário alheio nem sobre a justiça do patrão, recai sobre o olho. E o irmão mais velho de Lucas 15, que ficou fora da festa contando os anos de serviço fiel, é a figura em que o autor se reconhece.

Não podemos impedir que o pássaro cruze o céu, podemos impedir que faça ninho.

Os monges do deserto chamavam esses pensamentos de logismoi. Evágrio Pôntico estabeleceu a distinção decisiva: não depende de nós que os pensamentos venham, depende de nós que permaneçam. O pensamento que chega não é pecado. O pensamento hospedado e ruminado por meses já é escolha. Essa distinção liberta de duas prisões ao mesmo tempo: a de fingir que não se sente e a de se condenar por sentir.

É o coração pedindo o infinito e recebendo a notícia de que o vizinho comprou mais terra.

Agostinho apontou a raiz mais funda, o coração inquieto enquanto não repousa em Deus. O desejo está certo em sua origem e errado em seu destinatário. René Girard completou o quadro com precisão antropológica: o desejo é mimético, deseja-se o que o outro deseja porque o outro o deseja. Enquanto se aceitar a régua do outro, a própria vida ficará permanentemente curta, por maior que ela seja.

Nem toda dor diante da injustiça é inveja.

O artigo apresenta uma distinção que reorganiza todo o problema. Uma coisa é invejar o patrimônio de alguém. Outra, muito diferente, é a dor legítima de quem viu, de dentro da administração pública, o bem comum tornar-se bem privado e não pôde impedir. A segunda não é pecado, é fome de justiça. Confundir as duas faz alguém acusar-se de um pecado que talvez não tenha cometido e deixa a ferida real sem tratamento.

O estoico limpa sozinho, por esforço. O cristão entrega, e é limpo por Outro.

Jesus não pede que não se sinta, pede que se traga. O convite a vir a ele inclui também os pensamentos que envergonham. Por isso, sustenta o autor, a purificação cristã não é supressão, é confissão. E a confissão não humilha, liberta.

O que não é nomeado governa. O que é nomeado se torna matéria de oração.

O texto propõe três práticas. Nomear sem drama, dizendo a Deus exatamente o que se sentiu, com o nome exato. Rezar pelos nomes, um a um, e não pela categoria abstrata dos que enriqueceram, porque é impossível pedir bem sincero para alguém e continuar odiando essa pessoa. E fazer o inventário do recebido, não como consolo barato, mas como exercício de verdade, porque quando se recupera a própria unidade de medida, a inveja perde a força porque perde o objeto.

Se Deus é o tudo, então o que os outros possuem é parte. E parte alguma se inveja quando se possui o todo.

O artigo termina na oração de Francisco de Assis no Monte Alverne, meu Deus e meu tudo, e na imagem que atravessa toda a obra do autor: a colheita do coração exige o mesmo que toda lavoura, capina paciente, adubação constante e confiança na chuva que não depende de nós.

Outras publicações do autor sobre espiritualidade, motivação racional e vida interior podem ser acessadas em https://loterio.com.br/?s=espiritualidade

SOBRE O AUTOR

Ainor Francisco Lotério é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Teologia e em Filosofia, M. Sc em Gestão de Políticas Públicas, Pós-graduado em Psicopedagogia, Gerenciamento de Marketing e Metodologia do Ensino Superior. Com raízes na agricultura familiar e no cooperativismo, atuou por décadas em extensão rural e pesquisa agropecuária, em cargos de direção estadual, na gestão pública municipal e em programas voltados à juventude rural. Diácono Permanente, é criador da Agrosofia e da Agroteologia, e desenvolve palestras e formações com equipes, cooperativas, famílias e comunidades, nos temas de motivação, liderança, comunicação e convivência.

Contato para palestras, formações e assessoria: Portal: https://loterio.com.br/contato/ WhatsApp: (47) 99967-5010 E-mail: contato@ainor.com.br ou ainorfloterio@gmail.com

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