Duas fisiologias de um mesmo amor
Toda sociedade nasce duas vezes, primeiro num ventre, depois numa casa, e é essa dupla origem que sustenta meu novo artigo. Parto de dois papéis que a tradição cristã sempre colocou lado a lado sem sempre lhes dar o mesmo peso: o papel da mãe, espelhado em Maria, e o papel do pai, espelhado em José. Mostro que a mãe gera pela recepção, pela gestação, pelo vínculo primário que começa antes do nascimento, enquanto o pai gera pela estruturação, pelo limite, pela abertura para o mundo que existe fora do colo, e que nenhum dos dois é mais família do que o outro, são duas fisiologias diferentes da mesma geração. Uso a própria Agrosofia como chave de leitura: assim como a terra que recebe a semente e o cultivo que a conduz até a colheita não competem entre si, completam se, o poder do ventre e o poder estruturante do pai também se somam para que algo novo possa nascer e crescer. Ancoro essa imagem em Gênesis 2,7, a terra que recebe o sopro e se torna vida, a mesma imagem que a maternidade encarna sem anular o papel de quem depois cultiva, protege e conduz.
Por que mãe e filho, pai e filha, se aproximam de formas diferentes
Desenvolvo também um padrão que se repete em muitas famílias: a mãe se aproxima com mais facilidade dos filhos homens e vive mais atrito com as filhas, e o mesmo padrão se repete, de forma espelhada, entre pai e filhos. Trago Bowlby e a psicologia do apego para explicar esse fenômeno, o vínculo entre pais e filhos do mesmo sexo costuma carregar mais identificação, e por isso mais espelhamento tanto de afeto quanto de atrito, enquanto o vínculo com o filho do sexo oposto costuma ser mediado por uma ternura menos competitiva. E mostro como o lugar de José na teologia, e na vida real, revela um tipo de paternidade que se prova pela presença silenciosa, e não pelo protagonismo, citando o Papa Francisco e sua descrição de José como pai de coragem criativa, e o próprio Evangelho de Mateus, em que José recebe a ordem de guardar, não de protagonizar.
Família como ninho e nó, a primeira escola
Fecho o texto amarrando esses dois papéis, o poder do ventre e o poder estruturante do pai, à ideia que venho desenvolvendo em outros escritos, de que a família é o ninho acolhedor e o nó integrador da sociedade, a primeira experiência de comunidade que uma pessoa vive, muito antes de qualquer sala de aula. E deixo claro que essa missão não termina quando os filhos crescem, ela se prolonga na firmeza afetiva dos avós, referência e transmissão de valores para outra geração que também precisa de ninho e de nó.
O texto está disponível gratuitamente em PDF, com o título “O Ventre que Gera e a Mão que Guarda: Maria e José, mãe e pai, e a família como o primeiro solo da sociedade”. Convido você à leitura completa.
Para convites e propostas de palestras, cursos, rodas de conversa e outras participações em eventos, meus contatos são ainorfloterio@gmail.com e WhatsApp (47) 99967-5010