CRISE — Ocasião de Crescimento e Evolução Pessoal

A Crise: Um Poço com Saída para Cima

Quando estamos entrando no poço sempre nos preocupamos em sair dele. Por outro lado, quando estamos no fundo do poço, nos perguntamos se alguém vai tampá-lo, deixando-nos sem saída. Desta forma, a crise deve ser vista como um poço sem tampa, ou seja, com uma saída para cima.

Definição e Evolução da Crise

A crise pode ser definida como uma fase de perda, a chegada ao fundo do poço, ou uma fase de substituições rápidas, em que se pode colocar em questão o equilíbrio da pessoa. Torna-se, então, muito importante a atitude e comportamento da pessoa face a momentos como este. É fundamental a forma como os componentes da crise são vividos, elaborados e utilizados subjetivamente. Dessa forma, a evolução da crise pode ser benéfica ou maléfica, dependendo de fatores que podem ser tanto externos, como internos. Toda a crise conduz necessariamente a um aumento da vulnerabilidade, mas nem toda a crise é necessariamente um momento de risco. Pode, eventualmente, evoluir negativamente quando os recursos pessoais estão diminuídos e a intensidade do estresse vivenciado pela pessoa ultrapassa a sua capacidade de adaptação e de reação.

Crise como Oportunidade de Crescimento e Fatores de Risco

Mas a crise é vista, de igual modo, como uma ocasião de crescimento. A evolução favorável de uma crise conduz a um crescimento, à criação de novos equilíbrios, ao reforço da pessoa e da sua capacidade de reação a situações menos agradáveis. Assim, a crise evolui no sentido da regressão, quando a pessoa não a consegue ultrapassar, ou no sentido do desenvolvimento, quando a crise é favoravelmente vivida. Mas toda crise tem seus fatores de riscos distintos para cada pessoa (de acordo com suas condições de vida), empresa ou sociedade local. É preciso buscar condições que favorecem e estimulam um desenvolvimento harmonioso, a não entrada e a saída, quando somos envolvidos por ela. Algumas teorias podem nos ajudar a compreender melhor o que acontece pessoalmente quando ocorre uma crise desta natureza.

Perspectivas Teóricas sobre a Crise

A Crise na Teoria Construtivista

Na Teoria Construtivista (Piaget e Vygotsky, pais da psicologia cognitiva contemporânea, propõem que conhecimento é construído em ambientes naturais de interação social, estruturados culturalmente), o indivíduo passa por várias crises desde os seus primeiros dias de vida até ao final da adolescência. Nesta perspectiva, a crise é maturativa, proporciona aprendizagem.

A Crise na Teoria Sistêmica

Na Teoria Sistêmica (proposta em meados de 1950 pelo biólogo Ludwig von Bertalanffy), a crise não é necessariamente evolutiva. Define-se como a perturbação temporária dos mecanismos de regulação de um sistema, de um indivíduo ou de um grupo. Esta perturbação tem origem em causas externas e internas, pois é vista como um todo, e pode deixar sequelas.