UMA COOPERATIVA NÃO MORRE PRIMEIRO NO BALANÇO, ELA MORRE PRIMEIRO NO VOCABULÁRIO
Cooperar, cooperação, cooperativismo, cooperativista e cooperativa não são sinônimos empilhados nem variações estilísticas de um mesmo termo. São degraus de uma mesma escada, e cada uma sustenta a seguinte. Quem confunde essas palavras confunde também a prática.
UM MOVIMENTO SE RECONHECE PELA SUA LÍNGUA
Antes de existir estatuto, assembleia, balanço ou sobra a distribuir, existe uma palavra. É a palavra que organiza a consciência, e é a consciência que organiza a ação. Nenhum cooperado participa bem daquilo que não sabe nomear, e nenhuma liderança conduz bem aquilo que explica mal.
COOPERAR, A SINFONIA DA AÇÃO CONJUNTA
Ninguém coopera por procuração. Cooperar é o verbo essencial, o primeiro movimento de tudo, e vai muito além do simples ato de estar junto. É união de esforços, de saberes e de vontades em favor de um objetivo comum, com responsabilidade compartilhada pelos resultados. Aqui está a diferença entre estar associado e ser cooperativista de verdade.
COOPERAÇÃO, A BATUTA QUE REGE A ORQUESTRA
O resultado do esforço somado é sempre maior do que a soma dos esforços isolados. A cooperação traduz a teoria em prática, manifesta-se na participação ativa nas decisões, na partilha honesta dos resultados e no apoio mútuo diante das dificuldades, e se expande para além das fronteiras da cooperativa, beneficiando toda a comunidade.
COOPERATIVISMO, A ALMA QUE DÁ VIDA À SINFONIA
Onde o cooperativismo é apenas forma legal sem doutrina viva, o empreendimento até sobrevive, mas perde a sua razão de existir. É a filosofia doutrinária e educativa que rege a ação conjunta, sustentada pela solidariedade, pela igualdade, pela democracia e pela autonomia. Reduzido a modelo jurídico de empresa, passa a competir no mesmo terreno daqueles que veio superar.
COOPERATIVISTA, A DOUTRINA QUE VIRA BIOGRAFIA
O cooperativismo só existe verdadeiramente quando encarnado em pessoas concretas. Cooperativista é quem adota os princípios na própria vida e nas próprias atividades, comprometido com a justiça social e com o desenvolvimento sustentável, sempre em busca de aprimorar seus conhecimentos. Aprendi isso em casa, observando meu pai, Auri Fábio Lotério, pioneiro do cooperativismo e figura fundadora da CRAVIL, um homem que não falava de cooperação, ele a praticava diante dos filhos e dos vizinhos.
COOPERATIVA, O PALCO ONDE A COLABORAÇÃO SE TORNA REALIDADE
É a materialização da sinfonia. Organização autônoma de pessoas que se unem voluntariamente, de propriedade coletiva e controle democrático, mantendo viva a lição inaugural de Rochdale, onde um pequeno grupo de tecelões provou que a união organizada supera a força isolada do capital.
A ESCADA COMPLETA, DO VERBO À INSTITUIÇÃO
Retire qualquer degrau e a escada desmorona. Cooperar é o verbo que inaugura, cooperação é o processo que organiza, cooperativismo é a doutrina que fundamenta, cooperativista é a pessoa que encarna e cooperativa é a instituição que materializa. A morte começa quando o cooperado passa a dizer cliente, quando a assembleia vira formalidade e quando a palavra cooperação some do discurso cotidiano da liderança. Recuperar as palavras é o primeiro passo para recuperar a prática.
Leia o artigo completo, AS CINCO PALAVRAS QUE SUSTENTAM UM MOVIMENTO …, disponível gratuitamente em PDF, guarde-o e aprofunde a doutrina que sustenta a sua cooperativa. O conteúdo é também palestra e programa de formação, adaptável a assembleias, encontros de núcleos, comitês educativos, programas de jovens e mulheres, conselhos de administração e fiscal, cursos do SESCOOP e eventos do Dia Internacional do Cooperativismo.
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