CANTO ALEGRETENSE, O RUMO DO PRÓPRIO CORAÇÃO: O lugar que não se acha no mapa: campo, pertencimento, filosofia de vida e Agrosofia

O LUGAR QUE NÃO SE ACHA NO MAPA: CANÇÃO GAÚCHA VIRA LIÇÃO DE PERTENCIMENTO, CAMPO E AGROSOFIA

Ainor Francisco Lotério, filho de agricultores familiares e cooperativistas, engenheiro agrônomo, bacharel em Filosofia e em Teologia, mestre em Gestão de Políticas Públicas e diácono permanente, publica em www.loterio.com.br o artigo “Canto Alegretense, o rumo do próprio coração”, escrito no Sítio Agrosofia, em Camboriú, Santa Catarina. O ponto de partida é uma canção conhecida na voz de Neto Fagundes, e a observação que a abre é certeira: há canções que descrevem uma cidade e há canções que descrevem um estado de alma. Esta não dá coordenadas, dá direção, e o que guarda de mais profundo não é a paisagem, é a certeza de pertencer a algum lugar.

PERTENCER É A PRIMEIRA FORMA DE SABER QUEM SE É

A filosofia moderna gastou muita tinta discutindo identidade e esqueceu o que o homem do campo sempre soube: ninguém se define no vazio. A pessoa se define pela terra que pisou, pela casa onde comeu, pela gente com quem aprendeu a trabalhar. Quem não sabe de onde veio anda pela vida como cavalo sem cabresto, com muita energia e nenhum destino. O pertencimento não prende, orienta, e por isso quem tem raiz forte viaja longe sem se perder. Com o tempo, o lugar de origem deixa de ser geografia e vira critério: cada um carrega dentro de si o seu Alegrete particular, aquele canto onde a palavra dada valia mais que o documento e o vizinho era ajuda, não concorrente. Voltar a ele não é nostalgia, é conferência de rumo.

O CORAÇÃO COMO BÚSSOLA, NÃO COMO CAPRICHO

Seguir o rumo do próprio coração pode soar como conselho romântico, e muita gente o usa como licença para fazer o que der na cabeça. Não é disso que se trata. Na tradição bíblica e na filosofia clássica, o coração é o centro da pessoa, onde a razão, a vontade e o afeto se encontram e decidem. Coração educado é bússola, coração não educado é apenas impulso, e impulso não constrói lavoura, casamento nem cooperativa.

O CAMPO ENSINA UMA FILOSOFIA QUE A CIDADE ESQUECEU

Quem trabalha com a terra aprende cedo três lições que valem para tudo: existe hora certa e forçar a natureza custa caro; resultado exige constância, porque roça abandonada por um mês não perdoa; e ninguém dá conta sozinho, princípio de onde nasceu o cooperativismo, do mutirão e do vizinho que aparece sem ser chamado. Essas três lições formam a filosofia de vida que o autor chama de Agrosofia, a mística da vida com base nas forças agronaturais. Não é saudosismo rural, é a leitura séria de que os ciclos naturais revelam princípios de conduta humana: a semente que morre para germinar ensina desprendimento, a raiz que avança no escuro ensina que o essencial trabalha antes de aparecer, a poda ensina que perder parte pode ser condição de crescer e o pousio ensina que o descanso não é preguiça, é preparação.

A INDEPENDÊNCIA QUE VALE A PENA CONQUISTAR

Existe uma independência que liberta e outra que apenas isola. A que liberta é a de quem se torna capaz de sustentar as próprias escolhas, honrar compromissos e decidir sem depender de aprovação alheia. A que isola é a de quem confunde autonomia com romper vínculos. O jovem rural que fica e moderniza a propriedade é tão independente quanto o que parte, desde que a decisão seja dele, pensada, e não fuga disfarçada. O recado final é simples e exigente: guarda o teu rumo no coração, porque ninguém vai poder guardá-lo por ti. Vale para o jovem que decide o próprio projeto de vida, para o casal que sustenta uma família, para o associado que acredita na cooperativa quando é mais fácil reclamar dela e para quem, já com cabelos brancos, ainda planta árvore cuja sombra não vai usar.

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A íntegra do texto está disponível para leitura e download gratuito . Antes de guardá-lo, ouça abaixo a canção inteira e sem pressa, reparando menos na letra e mais no que ela desperta, aquele canto de terra que cada um de nós carrega por dentro e que, de vez em quando, precisa ser visitado de novo.

Contato — Será uma alegria levar esta conversa até o seu grupo, sua cooperativa ou seu evento. Para palestras e cursos sobre campo, pertencimento, família e Agrosofia, fale conosco: ainorfloterio@gmail.com | (47) 99967-5010 | https://loterio.com.br/contato/

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