COMO NASCE A PAIXÃO E COMO SE CONSTRÓI O AMOR: OS QUATRO AMORES QUE SUSTENTAM A VIDA CONJUGAL
Ainor Francisco Lotério, engenheiro agrônomo, bacharel em Filosofia e em Teologia, diácono permanente e criador da Agrosofia, publica o artigo “Como nasce a paixão e como se constrói o amor”, escrito no Sítio Agrosofia, em Camboriú, Santa Catarina. A tese enfrenta o equívoco mais caro aos casais: a paixão é o convite, não o edifício. Ela nasce primeiro no corpo e no imaginário, antes de nascer no julgamento, mobiliza química e projeção, e por isso é intensa e, em certo grau, cega. Quem se apaixona não está avaliando, está encantado.
A PAIXÃO TEM PRAZO, E É AÍ QUE SE DECIDE TUDO
Entre alguns meses e dois ou três anos, aquela intensidade baixa. Quem imagina que o amor é a continuação natural da paixão conclui que errou de pessoa e recomeça o ciclo com outro rosto. Quem entende a diferença começa então a construir. O amor pleno nasce depois, por decisão repetida, e não é sentimento, é aliança.
EROS, STORGÉ, PHILIA E ÁGAPE
Eros é a atração e o desejo, e o problema dele não é a intensidade, é a incompletude. Storgé é a ternura doméstica que se instala com os anos, quando o outro deixa de ser conquista e passa a ser família, passagem que muitos confundem com esfriamento. Philia é a amizade, provavelmente o amor mais subestimado no casamento e o mais decisivo em sua longevidade, porque sem ela dois se tornam sócios de uma administração doméstica. Ágape é o amor gratuito, o único que não depende de sentimento e por isso pode ser prometido diante do altar, sustentando o casal quando os outros três falham temporariamente.
A INTEGRAÇÃO É O AMOR CONJUGAL
Amizade sem eros é fraternidade, eros sem ágape é aventura, storgé sem philia é convivência morna, e ágape sem os demais vira resignação. A aliança se realiza quando o mesmo homem e a mesma mulher são, de uma vez, amantes, familiares, amigos e servidores um do outro. Nenhum ser humano foi feito para ser o deus do outro, e relação alguma suporta esse peso.
A LAVOURA NÃO ENGANA
O eros é a floração, vistosa e breve, mas necessária, pois ninguém colhe sem ela. O storgé é a raiz que segura a planta no vendaval. A philia é o tronco que sustenta. O ágape é o cuidado do lavrador, a poda que dói e a rega na estiagem. Casal que pretende viver eternamente na floração termina sem colheita.
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