O MEDO COBRA JUROS DE UMA DÍVIDA QUE TALVEZ NUNCA CHEGUE
Existe um sofrimento que não vem do que aconteceu, mas do que ainda não aconteceu e provavelmente não vai acontecer. A ele somamos a pressa que não é nossa e o receio do julgamento de quem sequer está pensando em nós. Três parcelas que consomem exatamente o que deveria ser vivido por inteiro: o presente.
1. O MEDO ANTECIPADO
O medo é nobre quando avisa e destrutivo quando governa. O agricultor que teme a geada não deixa de plantar, ele planta no tempo certo e aprende a ler o céu, porque medo que paralisa não é prudência, é abandono do próprio campo. Quem antecipa a perda vive a perda duas vezes, e quem antecipa a perda que não vem sofre por nada.
2. A PRESSA EMPRESTADA
Há a pressa nascida de responsabilidade real e há a pressa que pegamos do vizinho, do concorrente, da linha do tempo alheia. A lavoura não obedece ao relógio de quem passa na estrada, ela obedece ao ciclo escrito na semente, e nenhum apressado jamais convenceu um grão a germinar antes da hora. Amadurecer cedo demais é apodrecer antes da colheita.
3. O RECEIO DO JULGAMENTO ALHEIO
Ajustamos gestos e escolhas a um tribunal que nunca se reuniu. A árvore não pede licença ao terreno vizinho para crescer, e a sombra que incomoda alguns é exatamente a que abriga outros. Quem depende de aprovação externa entrega o leme a quem não responderá pelo naufrágio.
4. A DENSIDADE DO PRESENTE
O passado é memória, o futuro é hipótese, e ambos consomem energia sem devolver nada. Quem colhe pensando na próxima safra não sente o cheiro da terra molhada debaixo dos pés, e a vida só se entrega inteira a quem está presente na hora da colheita. Densidade é estar onde o corpo está.
5. A CORAGEM NÃO É A AUSÊNCIA DO MEDO
Coragem é sentir e seguir. Ninguém abre uma cova na terra sem saber que a semente pode não vingar, e é por isso que plantar sempre foi o mais antigo ato de fé. Esperar certeza absoluta é esperar a morte com as mãos limpas e o celeiro vazio.
6. A PAZ SE CONSTRÓI, NÃO SE ENCONTRA
Paz não se acha no chão como moeda, ela se edifica com método e repetição. Terreno bom não nasce bom, ele é corrigido, adubado e cuidado por anos até que a raiz encontre onde se firmar, e com a alma humana não é diferente.
7. VIVER É AGRADECER O QUE JÁ FOI DADO
Os três venenos nascem da mesma raiz: a sensação de que falta algo. Não plantamos para nós, plantamos porque recebemos, e quem entende isso deixa de correr atrás da vida e passa a vivê la. A gratidão desarma o medo, a pressa e o receio de uma só vez.
Leia o artigo completo e baixe o PDF nos portais. A vida não pede pressa, pede presença.
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