O Cooperativismo: Apartidário por Princípio, Político por Vocação
Quem ama o cooperativismo sabe que ele nunca foi só um jeito de organizar a economia. Ele é um jeito de organizar a vida em comum. E é exatamente por isso que precisamos ter coragem de dizer uma frase que assusta os desavisados e liberta os que entendem: o cooperativismo é estritamente apartidário e profundamente político. Não há contradição nisso. Há a mais bela das verdades escondida à vista de todos.
A Essência Política do Cooperativismo
Aristóteles ensinou, há vinte e quatro séculos, que o ser humano é animal político porque decide, e decide em comunidade. Quando um grupo de agricultores decide comprar junto, vender junto e responder junto, está fazendo política no sentido mais puro da palavra: está decidindo como quer viver. Isso não é partidarismo. É bem comum. São coisas que muita gente confunde, e é dessa confusão que nasce boa parte da desconfiança que o cooperativismo enfrenta quando se aproxima da vida pública.
Desvendando a Relação entre Cooperativismo e Política
Neste artigo, atravessamos essa fronteira com clareza e com base. Distinguimos as quatro dimensões da política e mostramos onde o cooperativismo pode e deve estar. Recuperamos a história que muitos desconhecem: a neutralidade partidária não é interpretação recente nem manobra jurídica, foi princípio expresso nos Congressos da Aliança Cooperativa Internacional de 1937 e 1966, e virou lei brasileira em 1971. Percorremos os sete princípios lidos como uma verdadeira constituição política, os valores como afirmações de cidadania, e a distinção decisiva que separa a educação política da campanha eleitoral: uma pergunta ao cooperado o que ele pensa, a outra diz a ele o que deve pensar. Uma forma critério. A outra pede voto. Uma é fortalecimento. A outra é captura.
A Missão da Educação Cooperativista
E chegamos ao coração de tudo: a educação cooperativista da política não conduz a lugar nenhum. Ela ilumina o caminho e deixa que cada um ande. Porque se, ao final de um programa de formação, os cooperados pensam todos igual, o programa fracassou. Se pensam diferente, sabem por que pensam assim e conseguem dizer isso na assembleia sem medo, então ele cumpriu sua missão. Todos por todos, o tempo todo, significa que ninguém decide pelo outro, e que a força do conjunto nasce da consciência de cada um, e não do silêncio de cada um.
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