A Verdadeira Liberdade e o Compromisso
Liberdade não se mede pelo número de vezes que alguém muda de caminho, se mede pela razão que sustenta cada mudança, e por aquilo que, mesmo em meio a todas elas, nunca precisou ser trocado. É com essa provocação que abro meu novo artigo, onde enfrento uma leitura comum e apressada sobre quem muda de função, de cidade ou de projeto com frequência: a de que lhe falta comprometimento ou raiz. Defendo o contrário, existe um tipo de liberdade que não foge do compromisso, ela o redefine, e não é o lugar que dá sentido à permanência, é a verdade que ali continua a crescer.
Perspectivas Filosóficas sobre Mudança e Crescimento
Percorro três lentes para sustentar essa ideia:
- Em Sartre, a liberdade humana não é ausência de vínculo, mas a condição de que o ser humano é sempre aquilo que faz de si mesmo, sempre em escolha, sempre em construção, o que significa que migrar de função ou de lugar pode ser, ao contrário do que parece, o exercício responsável da própria liberdade.
- Em Maslow e em Rogers, o crescimento vira critério de permanência: fica-se onde a vida ainda floresce, parte-se de onde ela já se repete sem florescer, e a pessoa em pleno funcionamento é justamente aquela que permanece aberta à experiência e disposta a se reorganizar sempre que a vida exige.
- Em Frankl, a distinção que mais me interessa, entre função e raiz: função é o cargo, a cidade, a atividade do momento, ela pode e deve mudar quando já não gera crescimento, raiz é aquilo que permanece por baixo de todas as funções, a família, a terra, o propósito que dá sentido ao movimento.
A Sabedoria da Natureza e a Fidelidade ao Propósito
Trago também a imagem bíblica do vento que sopra onde quer, em João 3,8, e uso a lavoura como metáfora central da Agrosofia: nenhum canteiro produz para sempre com a mesma cultura, e isso não é fraqueza da terra, é sabedoria dela. O pousio e a rotação ensinam que trocar de função, de atividade ou de forma de servir não é infidelidade à terra, é o próprio modo como a terra ensina a permanecer fértil. O que não muda, na lavoura como na vida, é o solo em si, a base sobre a qual tudo o mais se planta e se renova. Fecho o texto amarrando essa reflexão a três artigos anteriores do portal, sobre liberdade e respeito, sobre o apego material e sobre o que se faz com o que o mundo entrega, deixando claro que o valor de uma trajetória não se mede pelo volume do que se recebeu, mas pela profundidade com que cada etapa foi transformada em entrega.
O artigo, gratuito, chama-se “Espírito Livre: a Fidelidade que se Mede pelo Crescimento, por que permanecer é ficar onde a verdade ainda cresce, e partir é sair de onde ela já parou”. Fica o convite à leitura completa.
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