ESPIRITUALIDADE E FÉ, A DIFERENÇA QUE JESUS APONTA
Muita gente hoje se diz espiritualizada querendo dizer apenas que é sensível, que gosta de silêncio, de natureza, de energia boa. Isso é real, e é pouco. A espiritualidade é um dado antropológico, existe no monge e no ateu, no cristão e no pagão, no meditador e no romeiro, porque todo ser humano carrega uma dimensão interior que busca sentido e não se contenta com o que se pesa e se mede. Confundi-la com fé, porém, é confundir a sede com a água.
Sentir o sagrado é perceber que há mais. Ter fé é aceitar que esse mais tem nome, rosto e uma proposta para a sua vida.
A FÉ COMEÇA FORA DE MIM
Fé, no sentido em que Jesus fala, não é sentimento interior nem vibração pessoal, é relação de confiança com Alguém que tem nome e rosto. Não é o homem que sobe em busca do divino, é Deus que desce e se apresenta. Por isso o critério de verdade da fé nunca foi o quanto ela me faz sentir bem, e sim se corresponde ao que foi revelado. Fé é adesão, é aliança, é seguimento, e seguimento sempre implica caminho, obediência e custo.
O que começa em mim e termina em mim não é fé, é espelho.
O QUE JESUS DISSE SOBRE A RELIGIOSIDADE DE APARÊNCIA
Ele foi duro com a espiritualidade sem fé. Chamou de sepulcros caiados os que cuidavam da aparência religiosa, advertiu que nem todo o que diz Senhor, Senhor entrará no Reino, e fixou o critério final em Mateus 25, que não é místico, é concreto: tive fome e me destes de comer. À samaritana disse que a verdadeira adoração se dá em espírito e em verdade, interioridade e verdade juntas, nunca uma sem a outra.
Sentimento sem conversão vira ilusão devota. Doutrina sem amor vira dureza.
O SOLO E A SEMENTE
A espiritualidade é o solo, a fé é a semente. O solo sozinho não produz nada, e a semente lançada em terreno endurecido também não vinga, que é exatamente a parábola do semeador. A pessoa espiritualizada tem o terreno preparado, tem sede, tem inquietação, tem escuta, e quando essa sede encontra Cristo a busca difusa ganha direção, nome e comunidade. A fé, por sua vez, sem espiritualidade viva, endurece em cumprimento de rito e vira o que Paulo chamava de letra que mata.
O agricultor sabe que preparar o solo é indispensável, mas ninguém colhe solo. Colhe-se aquilo que foi semeado nele.
O SINAL VERIFICÁVEL É O FRUTO
O sinal de que uma virou a outra é sempre o mesmo e é verificável: fruto. Espiritualidade genuinamente cristã produz mudança de vida, reconciliação, serviço, capacidade de perdoar quem não merece e compromisso com o irmão concreto que mora ao lado. Quem reza muito e trata mal a esposa, os empregados ou o vizinho ainda não passou da espiritualidade para a fé. A aliança plena tem três pontas que precisam se tocar: Deus, o Criador; eu mesmo, que preciso me reconhecer responsável; e a pessoa com quem convivo.
Se as três pontas não se tocam, o que há é religiosidade. Quando se tocam, a espiritualidade deixa de ser refúgio íntimo e se torna vida concreta.
BAIXE O ARTIGO COMPLETO EM PDF
A íntegra do texto está disponível para leitura, impressão e download gratuito em www.loterio.com.br, aberta a grupos, pastorais e comunidades.
Faça contato — Será uma alegria levar esta reflexão à sua comunidade, sua pastoral ou seu evento. Para palestras e cursos: ainorfloterio@gmail.com | (47) 99967-5010 | https://loterio.com.br/contato/