TEM DOR QUE É AGONIA E TEM DOR QUE É PARTO. A CRIAÇÃO INTEIRA CONHECE A DIFERENÇA
Quem já trabalhou a terra sabe: o solo geme quando o arado passa, a semente apodrece antes de germinar, a planta se curva sob o peso do fruto.
Tudo geme. Mas nem todo gemido é sinal de fim.
Escrevi o artigo O GEMIDO DA CRIAÇÃO, uma leitura agrosófica de Romanos 8 sobre a esperança que atravessa a vaidade, e o deixo aqui, na íntegra, em PDF. Foi produzido com labor, com estudo e com consideração por quem vive do campo e por quem carrega, dentro de si, uma dor que não sabe nomear.
Percorra comigo o caminho do texto.
DA VAIDADE DO INDIVÍDUO À VAIDADE DA CRIAÇÃO
O Eclesiastes olhou a vida humana e disse: tudo é sopro. A palavra hebraica hevel aparece quase quarenta vezes e significa vapor, fumaça, algo sem substância.
Paulo recolhe essa mesma intuição e a dilata até as dimensões do universo. Não é só o homem que passa. É a criação inteira que foi submetida à fragilidade.
No artigo eu mostro por que a tradução latina por vanitas estreitou o sentido original e nos fez confundir transitoriedade com ostentação.
O GEMIDO COMO TRABALHO DE PARTO
Aqui está o coração do texto e a razão pela qual ele pode falar com você hoje.
Paulo não escolheu a imagem da agonia. Escolheu a imagem do parto.
A criação não geme de desespero, geme de expectativa. Não é o lamento de quem morre sem destino, é o esforço de quem carrega vida. O que parecia fim revela-se gestação.
Se você está atravessando um tempo difícil, essa distinção não é detalhe teológico. É a diferença entre desistir e continuar.
A ESPERANÇA QUE SE PLANTA NO OCULTO
Homem e terra gemem juntos. O agricultor não é espectador da criação sofredora, é companheiro de gestação dela.
No mundo bíblico, as primícias eram os primeiros frutos entregues a Deus como garantia da colheita inteira que viria. Quem trabalha bem hoje, mesmo sob o sopro, já colhe primícias de uma glória que ainda não apareceu.
A esperança cristã não cruza os braços. Ela planta com mais seriedade justamente porque sabe que a obra não termina em si mesma.
CUIDAR DA TERRA É PARTICIPAR DO PARTO
Esta é a tese agrosófica do artigo.
Reflorestar, recuperar um solo, guardar uma nascente, plantar uma árvore que só dará sombra a netos ainda por nascer. Cada um desses gestos acompanha o parto do mundo novo.
Quem planta o garapuvu e o ipê da Mata Atlântica não está acumulando para si. Está semeando no oculto, para o futuro, e essa é a forma mais pura de esperança encarnada.
É a mesma ecologia integral de Laudato Si, que nos lembra que não existem duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas uma só crise socioambiental.
CONSISTÊNCIA, NÃO VAIDADE
Trago no artigo um discernimento que me custou anos para formular.
Divulgar o cuidado com a criação, escrever, ensinar, plantar à vista de todos pode parecer vaidade aos olhos apressados. Mas há uma diferença de raiz entre mostrar o fruto para ser aplaudido e mostrar o caminho para que outros também plantem.
O sinal de que não há vaidade é simples: a pessoa continua plantando quando o aplauso cessa.
OS QUATRO DISCERNIMENTOS QUE A CRIAÇÃO ENSINA
Gemer é fecundo. A dor do processo não é ausência de sentido.
Esperar é plantar. A esperança mobiliza, não paralisa.
Divulgar por consistência, não por vitrine. O que se comunica deve nascer da mesma raiz que produz o fruto real.
A libertação é comum. Não há redenção do ser humano que despreze a terra que o sustenta.
A CONCLUSÃO QUE CONSOLA
O Eclesiastes olhou o mundo e viu sopro. Paulo olhou o mesmo mundo e viu parto.
Cada árvore plantada, cada solo recuperado, cada palavra semeada com consistência já é primícia da redenção que virá.
LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA, EM PDF
O texto completo está disponível neste espaço, com a análise exegética entre o hevel do Eclesiastes e a mataiótes de Paulo, a fundamentação em Laudato Si, Spe Salvi, Agostinho e Ratzinger, e o desenvolvimento da leitura agrosófica aplicada à extensão rural.
Baixe, leia com calma e leve para a sua comunidade, para o seu grupo de reflexão, para a sua paróquia, para a sua cooperativa.
Se você está gemendo por dentro neste momento da sua vida, leia principalmente a parte do parto. Ela foi escrita pensando em quem sente a dor e ainda não descobriu que ela está fazendo nascer alguma coisa.