CONECTAR PESSOAS. FORTALECER O PROPÓSITO. VIVER O COOPERATIVISMO.
Tem dia que a gente entra numa sala e percebe, logo nos primeiros minutos, que ali não está apenas um público: está uma história inteira sentada, esperando ser lembrada.
Foi assim na palestra realizada na Cooper Central Aurora, hoje Aurora Coop, em parceria com o Sescoop/SC e a Ocesc, a Organização das Cooperativas de Santa Catarina. Foram três palestras no mesmo dia, e esta foi a segunda, com participação numerosa e atenta de dirigentes, gestores e colaboradores.
Ainor Lotério, um dos maiores conhecedores da doutrina cooperativista no Brasil conduziu o encontro. Quatro décadas de extensão rural, formação em cooperativismo para sistemas de todo o país e uma origem que antecede qualquer manual: filho de cooperativista pioneiro, cresceu vendo a doutrina acontecer antes de saber que ela tinha nome. A palestra manteve o público inteiro do começo ao fim, com uma resposta formidável.
Falar de cooperativismo dentro da Aurora tem um peso próprio. São quatorze cooperativas filiadas e cento e cinquenta mil famílias envolvidas, uma das maiores estruturas cooperativas da América do Sul, produzindo alimento que chega à mesa de todo o Brasil. Tudo isso começou em 15 de abril de 1969, quando dezoito homens do Oeste catarinense decidiram que não queriam apenas preço melhor: queriam assumir a cadeia inteira. Não tinham vocabulário técnico, não falavam em governança nem em alinhamento estratégico. Tinham a mesma dor e a mesma coragem. E foi suficiente para fundar uma potência.
A tese sustentada diante deles foi simples e exigente: o cooperativismo não é primeiramente um modelo jurídico nem uma estratégia de mercado. É doutrina, é filosofia de vida. E se sustenta em três verbos que não são três temas, são três tempos do mesmo processo. Conectar é a origem, porque nenhuma cooperativa existe antes do encontro. Fortalecer é a estrutura, feita de doutrina, princípios, símbolos e educação, que impede o encontro de se dissolver em boa intenção. Viver é a prova, a conduta diária de quem informa sempre, reconhece no ato e corrige com respeito.
No artigo completo, sistematizado a partir dessa palestra, desenvolvo pontos que costumam provocar boas conversas dentro das equipes. A diferença entre autoridade, que vem por portaria, e legitimidade, que vem por testemunho. A confiança como o único patrimônio que não entra no balanço e é o primeiro a ser cobrado. A distância entre treinar para a tarefa, que produz execução, e formar para a consciência, que produz cooperativistas. E a lição dos trinta e três mineiros de San José, no Atacama, que sobreviveram a setecentos metros de profundidade não pela hierarquia, mas pela cooperação em estado puro.
“Escrevo e falo sobre isso porque cooperativismo, para mim, nunca foi assunto aprendido em manual. Nasci numa família rural ligada ao movimento, filho do cooperativista pioneiro Auri Fábio Lotério, cresci vendo a doutrina acontecer antes de saber que ela tinha nome. Depois vieram mais de quatro décadas de extensão rural na Acaresc e na Epagri, onde fui Diretor Estadual, e na Emater-RS/Ascar, além de cursos e palestras de doutrina e educação cooperativista para sistemas cooperativos de todo o Brasil, em parceria com OCB, Sescoop, Ocesc e cooperativas singulares e centrais. É essa trajetória que sustenta cada palavra do texto.”, disse Ainor Lotério
Vale a leitura inteira, com calma, e vale baixar o arquivo completo para usar em reunião de equipe, em núcleo, em pré-assembleia ou em formação de lideranças.
Porque o cooperativismo não pede que ninguém deixe de ser quem é. Pede apenas que ninguém precise caminhar só.
Contato para palestras e cursos: ainorfloterio@gmail.com – whatsapp: (47)99967-5010