Uma cena simples, uma pergunta que se impõe
A reflexão nasce de uma cena simples: o retorno do sítio à cidade, o reencontro com o filho mais velho, e a conversa que traz de volta preocupações mundanas do negócio da família. É desse contraste, entre o silêncio cultivado na terra e a agitação do reencontro, que parte meu novo artigo, onde busco qualificar melhor a Pedagogia da Ausência. Faço uma distinção inicial entre dois movimentos que, por fora, parecem idênticos: um dirigido ao outro, o gesto pedagógico que abre espaço para que o filho amadureça e decida por conta própria, e outro dirigido a si mesmo, o recuo que protege a própria paz do desgaste de sustentar, repetidamente, o contato com a aflição alheia. Nomear com honestidade qual dos dois está operando em cada momento evita que se vista de sabedoria o que talvez seja, apenas, cansaço de carregar o peso do outro.
Da pedagogia à andragogia
Mostro, em seguida, que essa distinção inicial não esgota a questão, porque o filho já não é uma criança em formação, há autonomia construída ao longo de décadas de presença. O que muda agora não é o vínculo, é a modalidade da relação: de um pai que decidia junto para um pai que apenas acompanha, à distância, um adulto que decide sozinho. Trago Knowles e o conceito de andragogia, centrado na autodireção do aprendiz adulto, em que o papel de quem ensina não é conduzir, mas facilitar, reconhecendo que o outro já possui experiência e capacidade de decisão próprias.
Uma só lei, dois vetores
Amplio a tese a partir de Marcos 12,31, amar o próximo como a si mesmo, para defender que a ausência que forma o filho e a ausência que preserva o pai não são duas pedagogias distintas, mas duas direções de uma só lei aplicada à mesma prática. E trago um dado observável que sustenta essa leitura: quando a ausência se instala, em vez de romper o vínculo, ela o reativa em outra direção, são eles que vêm buscar, que perguntam como está. Se a ausência fosse fuga, geraria distanciamento crescente, e o fato de gerar aproximação mostra que o vínculo permanece vivo, apenas invertendo, por um tempo, quem sustenta a iniciativa do cuidado.
O texto está disponível gratuitamente em PDF, com o título “Pedagogia da Ausência: Conceito e Discussões sobre sua Amplitude”. Convido você à leitura completa.
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