Existe um ciclo silencioso que sustenta toda instituição séria do conhecimento, e ele se move em quatro tempos. A pesquisa que descobre, o ensino que forma, a extensão que compartilha e a prosperidade que colhe. Quando esses quatro tempos se articulam, o saber deixa de ser privilégio de poucos e vira semente que germina no chão da vida.
Um saber que não frutifica é semente guardada no armário, boa talvez, mas que não germina, não alimenta e não transforma ninguém. Por isso defendo que o conhecimento precisa ir da pesquisa à porteira. Não há valor em descoberta trancada, nem em diploma que não se converte em serviço à sociedade.
A pesquisa é o começo de tudo, mas não pode ser um fim em si mesma, porque a ciência tem endereço. Tem a propriedade, a comunidade e a mesa das pessoas. Aprendi isso na Epagri, onde entendi que pesquisar é servir, e que mesmo a excelência de publicação internacional só se justifica plenamente quando retorna em benefício concreto para quem produz.
Educar vem de educere, que significa tirar de dentro, conduzir para fora aquilo que já existe em potencial em cada pessoa. Ensinar não é despejar informação, é despertar talento. E o maior legado de um professor nunca são os conteúdos que transmitiu, são as vidas que ajudou a florescer.
A extensão é a ponte, o gesto generoso de levar o conhecimento até quem não teve a oportunidade de estudar, pegando a descoberta do pesquisador e colocando-a nas mãos do agricultor familiar, da mulher do campo e do jovem que sonha em ficar na sua comunidade. Foi essa a grandeza da extensão rural catarinense, a mesma que plantou cooperativas e fez florescer o associativismo no Sul do Brasil.
Prosperar, no sentido pleno, não é acumular, é abundância em todos os sentidos, filosófico, espiritual e também financeiro, desde que sustentável e voltada ao bem comum. A prosperidade verdadeira eleva a dignidade humana, fortalece comunidades e cuida da casa comum.
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