A disputa crescente por estudantes tem levado as instituições particulares de ensino a uma corrida por alunos no mercado, como se eles fossem um produto a ser embalado e adquirido na base da concorrência.
Se antigamente não víamos nenhum outdoor nas beiras de estrada, hoje vemos um verdadeiro concurso de beleza, com lindos rostos sendo apresentados nas grandes placas que margeiam as rodovias. Chega a dar a impressão de que o vestibular é muito mais um concurso de beleza do que de inteligência e conhecimentos.
Dados do Ministério da Educação dão uma razão para esta disputa: em cinco anos, o número de vagas nas instituições particulares cresceu 70%, enquanto os alunos novos “no mercado” apenas 30%. Penso que seja porque estes não conseguem pagar um curso particular e as universidades públicas não conseguem atender a demanda da nossa sociedade.
Por outro lado, se temos mais oferta, também temos um maior número de alternativas de escolha.
Mundo Novo ou “Adicional Importante”
Uma faculdade pode oferecer um mundo novo e promete realização profissional. A outra dá “mimos” para quem prestar o concurso, como celular, Ipod, caneta, babá (até que é interessante para aqueles que têm filhos e precisam estudar), etc.
Dizem estas universidades que isto é apenas um adicional “importante”.
Mas, importante mesmo deveria ser:
– a qualidade de ensino oferecida;
– o aluno se garantir pela escolha certa da instituição e do curso;
– o poder de escolha de cada estudante;
– o serviço acadêmico de qualidade.
Qualidade do Serviço Acadêmico
Serviço acadêmico de qualidade é aquele que se traduz em bons conteúdos e profissionais bem formados para a sociedade e o mercado. O oferecimento de “produtos” não essenciais à aprendizagem pode servir para mascarar a má qualidade de ensino.
Ainda sobre a qualidade do serviço acadêmico, eu afirmaria que é aquele que se traduz em felicidade após a sua conclusão.
Concorrência e Poder de Escolha
A concorrência deve se basear na qualidade do ensino, que é a missão precípua das universidades e não em produtos que o mercado e as famílias podem oferecer.
Cuide para não mascarar o seu poder de escolha com todas estas ofertas.
A realização pessoal deve vir do conhecimento que liberta, não de uma simples oferta de “produto diferencial”, destes que você pode comprar mesmo não tendo estudado.
Lembre-se: você pode comprar todos os livros que desejar, até o ingresso numa universidade, mas o conhecimento verdadeiro só é conquistado com esforço e perseverante estudo.
Este é O SEU PODER DE ESCOLHA. A palavra escolha tem apenas um “h” a mais do que escola, mas é fundamental na definição de qual escola seguir. Falo aqui de escola como sinônimo de universidade, instituição superior de ensino, academia, bom curso.
*Engº Agrônomo, Especialista em Metodologia do Ensino Superior, Mestre em Gestão de Políticas Públicas – Palestrante ( www.ainor.com.br )