Há encontros que não terminam quando a tela se apaga. Continuam na cabeça de quem assistiu, na conversa do corredor no dia seguinte, no jeito diferente de olhar para o colega ao lado.
Foi assim no ciclo de palestras online realizado para o Sistema Aurora Coop, três encontros em três dias consecutivos, com um único tema atravessando todos eles: conectar pessoas, fortalecer o propósito, viver o cooperativismo. E quem acompanhou os três percebeu algo raro. As palestras não se repetiram. Elas evoluíram. Cada dia aprofundou o anterior, como quem desce degraus de uma mesma escada, indo do topo da decisão até o chão da execução, sem perder o fio da doutrina. A plateia virtual atingiu índices expressivos de participação e permanência nos três dias, com presença numerosa e atenta do começo ao fim.
TRÊS DIAS, TRÊS PÚBLICOS, UMA MESMA DOUTRINA
No primeiro dia, a liderança. Liderança inspiradora, cultura organizacional, comunicação institucional, e a retomada do princípio da adesão livre e voluntária, que lembra que ninguém é cooperativista por obrigação, mas por convicção. No segundo, os supervisores e coordenadores, aqueles que carregam a responsabilidade prática de traduzir a estratégia em rotina. “A média liderança é o ponto onde a estratégia sobrevive ou morre”, afirmou Ainor Lotério. No terceiro, a turma operacional, o pertencimento, o reconhecimento de quem faz, a certeza de que o trabalho de cada um se conecta ao trabalho do colega ao lado e ao de outras cooperativas, formando uma rede maior de colaboração.
“Um cooperativismo que chega até o último elo da cadeia é um cooperativismo que se fortalece por dentro antes de impactar por fora”, disse o palestrante.
UMA CENTRAL QUE VIROU EXEMPLO NACIONAL
A Aurora Coop é cooperativa central, sociedade de segundo grau, nascida em quinze de abril de mil novecentos e sessenta e nove, quando dezoito homens representando oito cooperativas do Oeste catarinense, liderados por Aury Luiz Bodanese, tomaram uma decisão que mudou a história do agro brasileiro. Não pediram preço melhor. Escolheram assumir a cadeia inteira. Vieram um frigorífico, uma fábrica de ração e a paciência de quem constrói para durar.
“Nada naquela decisão tinha glamour, e é justamente por isso que ela durou”, observou Ainor Lotério.
De lá para cá, o que era um gesto de sobrevivência virou estrutura. Quatorze cooperativas filiadas, cento e cinquenta mil famílias, presença em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Goiás e outros estados, alimento que sai daqui e chega ao Brasil inteiro e ao mundo. Catarinense na origem, nacional na dimensão, internacional no alcance.
“O resultado não é fruto de quem manda melhor, mas de quem escolhe, todos os dias, permanecer junto“, sintetizou o palestrante.
O QUINTO PRINCÍPIO COMO CORAÇÃO DO CICLO
Sob toda essa estrutura permanece o mesmo alicerce que sustenta qualquer cooperativa verdadeira: uma doutrina. Ajuda mútua, solidariedade, transparência, responsabilidade, democracia, equidade, honestidade. Valores que antecedem qualquer estatuto e que não são adorno de discurso. E, sobre eles, os princípios, da adesão livre e voluntária até o interesse pela comunidade.
Entre todos, um ocupou posição central nos três dias: educação, formação e informação. “É o único princípio que é, ao mesmo tempo, dever e método”, explicou Ainor Lotério. “Dever, porque a cooperativa se obriga a formar seus membros. Método, porque não há como cumprir os outros princípios sem ele.”
Educação cooperativista, no entendimento do palestrante, é doutrina, é disciplina, é trabalho, é valorização da família, que é a primeira sociedade cooperativa de qualquer pessoa. “É o líder que ensina em cada correção”, disse. “É tratar a informação como direito do cooperado e do colaborador, e não como favor da chefia.”
“Treinar para a tarefa produz execução. Formar para a consciência produz cooperativistas.”
Ainor Francisco Lotério é reconhecido nacionalmente como um dos maiores conhecedores da doutrina e da educação cooperativista no Brasil. Cooperativista desde a formação inicial, filho de um cooperativista pioneiro, fundador da cooperativa de sua região, cresceu vendo a doutrina acontecer antes mesmo de saber que ela tinha nome. Depois vieram mais de quatro décadas de extensão rural, o serviço público, a gestão, o magistério e centenas de cursos e palestras para sistemas cooperativos de todo o país. Teve como mestre Glauco Olinger, fundador do serviço de extensão rural em Santa Catarina, aquele mesmo serviço que está no DNA das cooperativas brasileiras. “Técnica sem gente não transforma nada”, costuma repetir, lembrando o ensinamento do mestre.
Ao final dos três dias, o que ficou não foi conteúdo. Foi pertencimento. E pertencimento, numa cooperativa, é sempre o primeiro passo do resultado coletivo.
“O cooperativismo não pede que ninguém deixe de ser quem é. Pede apenas que ninguém precise caminhar só.”
Você pode baixar o artigo A LIDERANÇA QUE CHEGA ATÉ O ÚLTIMO ELO: COOPERATIVISMO NA AURORA COOP.
Contato para palestras e cursos: ainorfloterio@gmail.com – Whatsapp: (47)99967-5010