A PRIMEIRA LIÇÃO TODO MUNDO VÊ.
O mato que vira roçado, o roçado que vira lavoura, a lavoura que vira caminhão carregado descendo a estrada de chão na madrugada. A agricultura muda a paisagem, a economia e a mesa. Essa parte aparece.
A SEGUNDA LIÇÃO NINGUÉM VÊ, PORQUE ACONTECE POR DENTRO DE QUEM TRABALHA.
A lavoura transforma o lavrador. Ensina a decidir sempre com informação incompleta e a não transferir culpa a ninguém. Ensina que o erro custa safra e o acerto custa preparo. E devolve todo dia aquela lição que a pressa do nosso tempo mais detesta ouvir: ninguém colhe fora do tempo. Quem planta uma árvore trabalha por uma sombra na qual não vai se sentar, e mesmo assim planta. Não existe gesto mais contrário a uma época que quer tudo agora e mede tudo no trimestre.
E ELA SERVE PARA MUITO ALÉM DA ROÇA.
Preparar o terreno antes de semear. Respeitar o espaçamento, porque o que se adensa demais não frutifica. Aceitar o tempo de dormência em que nada aparece e todos duvidam. O agricultor não faz a planta crescer, ele remove o que impede e oferece o que falta. Vale para a empresa que quer durar, para a família que quer permanecer unida, para a cooperativa que quer crescer sem se perder e para a criação de um filho. Quem aprende as duas lições colhe muito além da safra.
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