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Ainor Lotério
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O PREÇO DO RECUO - Quando sustentar deixa de ser vocação e vira hábito, recuar em silêncio devolve a quem se entrega o descanso que os céus preparam além dos bens terrestres

Recuar não é abandonar. É a decisão de deixar de sustentar situações para sustentar, enfim, a si mesmo.

O Preço do Recuo: Quando Sustentar Vira Hábito

Neste novo artigo, parto de um momento que a vida de quem sempre sustentou situações, pessoas e instituições conhece bem: o instante em que sustentar deixa de ser vocação e passa a ser hábito. Ninguém avisa quando isso acontece. Continua se carregando o mesmo peso pelos mesmos braços, só que agora esse peso já não edifica quem o carrega, apenas o consome. É desse ponto que nasce a pergunta que poucos têm coragem de fazer: o que acontece quando eu paro? Mostro que recuar não é abandonar, é a decisão de deixar de sustentar situações para sustentar, enfim, a si mesmo, e que o vazio que fica quando alguém se retira não é falha, é revelação: mostra o quanto aquela presença havia se tornado estrutura, e não mais dádiva livre.

O Preço que Ninguém Quer Pagar

Trato também de uma distinção que faço com firmeza: abrir espaço porque o outro precisa dele é gesto diferente de abrir espaço porque eu mereço vivê-lo. O primeiro ainda olha para fora, mede-se pela reação alheia, busca aprovação de quem recebe. O segundo olha para dentro, e por isso é mais silencioso, mais sóbrio, menos disposto a explicações. É aqui que a Pedagogia da Ausência e a Pedagogia do Silêncio encontram seu sentido mais maduro, formando quem se retira e quem fica ao mesmo tempo. Trago a Escritura, com Gálatas 5,1 sobre a liberdade que não é ausência de vínculo mas ausência de jugo, e Mateus 11,28 sobre o alívio prometido a quem está cansado, para mostrar que esse cansaço, depois de décadas de entrega, não é fraqueza, é preço natural de quem deu mais do que recebeu de volta.

O Pousio da Alma

Fecho o texto com a imagem da lavoura: a terra deixada em pousio não está ociosa, está se refazendo, e o agricultor que insiste em plantar sem descanso empobrece o solo até ele não produzir mais nada. O recuo é exatamente esse pousio da alma, o período em que não se planta nada visível, mas em que a terra interior recompõe o que os anos de entrega consumiram. É assim que o pó da terra de que fomos formados, em Gênesis 2,7, volta a ser terreno fértil, e não apenas terreno gasto. E é por não cobrar nada de ninguém que esse recuo se torna, paradoxalmente, o gesto mais generoso: liberta o outro de uma presença que já pesava, e liberta a si mesmo para finalmente viver o descanso prometido a quem trabalhou até o fim.

O texto está disponível gratuitamente em PDF, com o título “O Preço do Recuo: quando sustentar deixa de ser vocação e vira hábito, recuar em silêncio devolve a quem se entrega o descanso que os céus preparam além dos bens terrestres”. Convido você à leitura completa.

Para palestras, cursos, rodas de conversa e outras participações em eventos, meus contatos são ainorfloterio@gmail.com e WhatsApp (47) 99967-5010.

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