Do rúmen à digestão do pensamento
A palavra ruminação vem do latim ruminatio, mastigar novamente. No boi, o fenômeno é preciso: o animal engole o capim apressadamente, acumula o no rúmen, e depois, em repouso, o devolve à boca para uma segunda mastigação, até que a fibra ceda. É desse gesto fisiológico e repetitivo que a língua portuguesa herdou o sentido figurado de ruminar um pensamento, e é a partir dele que construo meu novo artigo, mostrando que a mente humana em sofrimento faz o que o boi faz, devolve o bolo à boca, mas sem o destino claro que o animal tem: enquanto o boi ruminante extrai o nutriente e segue adiante, a mente ruminante costuma devolver o bolo indefinidamente, sem nunca o deglutir de novo em direção à resolução.
As câmaras da digestão mental
Desenvolvo, então, uma travessia completa do pensamento como se fosse o trânsito digestivo do boi, câmara por câmara. No rúmen retículo, a captação bruta do estresse ou da ofensa, e o filtro que decide o que merece entrar. No omaso, a desidratação da narrativa, retirando a carga dramática até restar o osso cru do fato. No abomaso, o banho ácido que rompe a carcaça da culpa dogmática e a transforma em dado neutro. No intestino delgado, a absorção apenas do vetor de correção útil, sem guardar o trauma. No intestino grosso, o repouso psíquico que fecha a narrativa com ponto final. E, por fim, a defecação mental, o esquecimento saudável, o descarte literal do que já não serve.
O texto, gratuito, chama se “Ruminação: a Arte Bovina de Digerir Duas Vezes o que a Mente Insiste em Reter”, e todas as fontes pesquisadas estão reunidas no portal www.loterio.com.br. Convido você à leitura completa.
Para palestras, cursos e participações, meus contatos são ainorfloterio@gmail.com e WhatsApp (47) 99967-5010.