TREM-BALA, A PRESSA E A ETERNIDADE EM NÓS: UMA CANÇÃO LIDA COM OLHOS DE AGRICULTOR
Uma moça jovem escreveu uma canção simples, gravou com voz e violão, e o Brasil inteiro parou para ouvir. Trem-Bala, de Ana Vilela, tocou onde poucos discursos conseguem tocar, porque disse em três minutos aquilo que todos sabem e quase ninguém organiza: a vida corre rápido, nós somos passageiros, e o que fica não é o que acumulamos, é o que vivemos junto de quem amamos. É uma canção sobre o tempo, e o tempo é o assunto de quem planta.
A tragédia moderna é tentar viver as coisas profundas na velocidade das coisas rasas.
QUEM VIVE DA TERRA APRENDE CEDO QUE EXISTEM DOIS TEMPOS
Existe o tempo do relógio e existe o tempo da semente. O primeiro é o tempo do trem-bala, medido em prazos, notificações e metas. O segundo é o da germinação, que não se apressa nem por decreto nem por dinheiro. Nenhum agricultor convence o milho a nascer antes da hora, nenhum pai apressa a maturidade de um filho, nenhuma cooperativa se torna sólida por pressa de assembleia. A Agrosofia ensina exatamente essa paciência ativa, e o agricultor não é passivo, trabalha muito, mas no ritmo certo, respeitando a estação, a chuva e o descanso do solo.
Paciência não é lentidão, é sincronia.
A PRESSA É INIMIGA DA PRESENÇA
O grande custo do trem-bala não é o cansaço, é a ausência. A gente está em casa sem estar em casa, à mesa olhando a tela, no velório pensando na agenda. O filho que se segura no colo hoje não estará mais de colo daqui a alguns anos, e os pais que ainda podem ser abraçados um dia deixarão de estar. É na família que a velocidade cobra a fatura mais cara, porque uma casa não se sustenta com sobras de atenção, e firmeza na criação dos filhos não é rigidez, é estar por perto quando não é conveniente.
Ninguém tem tempo. As pessoas escolhem o que fazer com o tempo que têm.
A ETERNIDADE NÃO COMEÇA DEPOIS, COMEÇA AGORA
A canção diz que somos passageiros prestes a partir. A fé cristã concorda com o diagnóstico e acrescenta o destino, porque somos passageiros de uma viagem que não termina na estação final. A eternidade não é prêmio distante, é qualidade de vida que pode começar em cada gesto, hoje. E há a longevidade, que não é apenas viver muito, é viver com sentido até o fim, pois trocar os últimos anos pelos primeiros seria como trocar um bom vinho por um refrigerante.
Cada ato de amor verdadeiro já é matéria eterna. Cada árvore plantada, cada perdão concedido, cada palavra dita a tempo atravessa a nossa própria duração.
O QUE FAZER COM UM MINUTO
O minuto é a única unidade de tempo que realmente possuímos. Um minuto de inspiração pode reorganizar um dia inteiro, um minuto de escuta pode salvar uma relação, um minuto de silêncio diante do Criador reposiciona tudo o que vem depois. A pergunta que a música deixa não é quanto tempo ainda nos resta, porque isso ninguém sabe, é com quem e para quê estamos gastando o tempo que já está passando.
Não temos poder sobre a velocidade do trem, temos poder sobre a qualidade do que acontece dentro do vagão.
OUÇA A CANÇÃO E BAIXE O ARTIGO COMPLETO EM PDF
Faça um teste simples antes de guardar o texto: pare o que estiver fazendo, deixe o telefone de lado e ouça Trem-Bala, de Ana Vilela, do começo ao fim, em https://youtu.be/sWhy1VcvvgY. Três minutos apenas, e se possível ao lado de alguém da sua família. Depois releia e veja se o dia continua com a mesma pressa. A íntegra do texto está disponível para leitura, impressão e download gratuito em www.loterio.com.br.
Contato — Será uma alegria levar esta reflexão à sua família, sua comunidade, sua cooperativa ou seu evento. Para palestras e cursos: ainorfloterio@gmail.com | (47) 99967-5010 | https://loterio.com.br/contato/