*Ainor Lotério
Um filho só conhece o pai plenamente se tiver a felicidade de conviver com ele durante todas as fases da sua vida (criança, adolescência, juventude, adulto e, em alguns casos, até a velhice).
Os pais para serem conhecidos precisam viver intensamente ao lado dos filhos, tendo e dando a oportunidade de se conhecerem. Na sociedade atual, aumenta a média de vida da população, fruto da vida de qualidade, mas também aumenta as mortes trágicas, retirando para sempre do convívio familiar aqueles que poderiam promover o forte aprendizado que só a idade avançada proporciona ao ser humano.
Após estudar os efeitos benéficos da longevidade humana, entendi a frase que ouvi de um filho em um velório: “Eu não conheci meu pai”.
Muitos até pensaram que ele tivesse dúvida quanto à paternidade. No entanto, referia-se apenas à perda da convivência em uma fase importante da vida de seu pai, a terceira idade, pois o mesmo, ainda novo, falecera em um acidente.
Quem ainda tem os pais vivendo o fenômeno da terceira idade (já se fala em quarta, quinta idade) tem o privilégio de poder conhecê-los profundamente. Aproveite esta oportunidade, viva e conviva com eles.
Quanto mais longa a vida juntos (entre quem cria e é criado) mais profundo será o conhecimento. Só na velhice pode terminar a revelação daquilo que é o ser humano, quando ele recolhe para dentro de si tudo o que viveu, em todos os tempos.
Por isso, instrua seus filhos contando a eles histórias sobre suas avós e seus avôs. Eles vão entender na prática como tudo pode ter um final feliz. Isto pode ajudar na verdadeira sucessão nas atividades e empreendimentos, tanto no campo quanto na cidade.
Os pais só vão conhecer plenamente seus filhos se acompanharem a vida deles e vice-versa.
Um dia, o pai pode se tornar dependente do filho que outrora dependeu dele. Noutro tempo, aquele que cuidava poderá necessitar de cuidados, mas também abandonado (“um pai cria dez filhos, dez filhos não criam um pai”).
Lembro com saudades de um trecho da música Velho Pai, de Tonico e Tinoco:
“Quando encontrar um velhinho, respeite a sua idade
É uma sombra do passado é o espelho da saudade
Respeite como seu pai com carinho a amizade
Ela só dá bom conselho para o bem da mocidade
Todo velho já foi moço, todo o moço foi criança
A velhice é o fim da vida onde morre (“eu prefiro mora”) a esperança
Mas quem sempre faz o bem na vida a glória no céu alcança
Seu nome fica na história e o passado por lembrança”
Quando alguém lhe perguntar quantos anos deseja viver não diga como muitos: “setenta, setenta, um pouco mais, tá bom”. Você pode estar se achando velho e acabado, ou “vivendo no lucro”.
Não transforme a vida em carestia e sofrimento.
Revele sempre que “viver é um barato”.
Previna-se desde cedo aprendendo a envelhecer com sabedoria e qualidade.
Finalmente, uma sugestão para todos os gêneros: “Quando encontrar um velhinho” procure aprender com ele a viver o fenômeno da longevidade.
*Palestrante com Agrosofia – www.ainor.com.br; contato@ainor.com.br; (47)3365-0264