A FORÇA FEMININA NO COOPERATIVISMO: DA BASE AO TOPO DA PIRÂMIDE
O cooperativismo brasileiro respira uma vitalidade que emana, majoritariamente, da sensibilidade e da competência feminina. Como estudioso da doutrina cooperativista e do desenvolvimento humano, observo que os números recentes do setor não apenas impressionam, mas nos convocam a uma reflexão profunda sobre a equidade de gênero e o futuro das nossas instituições. No Brasil, as mulheres já representam 42% dos 23 milhões de cooperados (Sistema OCB) e são a maioria absoluta da força de trabalho, compondo 52% do quadro de colaboradores (Sistema OCB). Essa presença é ainda mais acentuada em ramos estratégicos: na saúde, elas chegam a 75%; no crédito, 60%; e no consumo, 57% (Sistema OCB).
Por que, então, diante de uma base tão expressiva, a presença feminina em cargos de alta gestão e conselhos de administração ainda orbita os 23% (Sistema OCB)? A resposta reside em um processo de transição cultural e estrutural. Historicamente, o cooperativismo nasceu sob uma égide de liderança masculina, mas a essência do movimento — baseada na ajuda mútua, na gestão democrática e no cuidado com a comunidade — é intrinsecamente ligada às competências humanas tradicionalmente cultivadas pelas mulheres. Elas trazem uma visão holística, resiliência e uma capacidade ímpar de articulação social que fundamenta o sucesso das cooperativas de base.
A disparidade entre a força de trabalho e a liderança máxima é um desafio que o setor já começou a enfrentar. Em estados como o Ceará, onde a participação feminina no quadro social atinge 58% (Sistema OCB), percebemos que o protagonismo das mulheres não é apenas uma tendência, mas uma realidade consolidada em certas regiões. Essa “força de base” é o motor que impulsiona a criação de programas de empoderamento e comitês de mulheres, fundamentais para quebrar o teto de vidro que ainda limita o acesso à presidência e aos conselhos.
Investir no desenvolvimento humano e em trilhas de sucessão que contemplem as mulheres não é apenas uma questão de justiça, mas de inteligência estratégica e sustentabilidade doutrinária. Quando a mulher assume o comando, a cooperativa se humaniza, a governança se fortalece e os princípios cooperativistas são aplicados com a maestria de quem sabe que o desenvolvimento econômico só faz sentido se vier acompanhado do crescimento das pessoas.
MULHERES NO COOPERATIVISMO: DA FORÇA QUE SUSTENTA À LIDERANÇA QUE TRANSFORMA
As mulheres já são protagonistas no dia a dia do cooperativismo, impulsionando resultados, fortalecendo equipes e garantindo a sustentabilidade do sistema. No entanto, ainda há espaço para ampliar sua presença nos ambientes de decisão. Esse cenário revela não apenas um desafio, mas uma grande oportunidade: fortalecer a liderança feminina é acelerar a inovação, qualificar a gestão e construir cooperativas mais justas, fortes e preparadas para o futuro.