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O VIÉS DE NEGATIVIDADE COMO DESAFIO DA GESTÃO COOPERATIVA (Palestras e Cursos)

Entre a Razão que Planeja e o Coração que Cuida: Por Que Toda Gestão Pública e Cooperativa Só Floresce Quando Inteligência, Sentimento e Ação Caminham Juntos.

Texto: Por Ainor Francisco Lotério — agrônomo, palestrante e criador da Agrosofia. Camboriú, SC. Fotos: Emater-GO e SEIVA Palestras
Emater-GO e SEIVA Palestras

Quem só vê a praga esquece a chuva. Essa é a condição da mente humana diante de qualquer empreendimento coletivo, seja no campo, na cooperativa ou na administração pública.

O olhar treinado apenas para identificar falhas perde a capacidade de reconhecer o que já floresce, e essa cegueira seletiva custa caro a quem lidera. No Agro, o produtor que só enxerga a seca esquece o solo que ainda guarda umidade e a semente que resiste. No Coop, o dirigente que só enumera dívidas e conflitos esquece a aliança silenciosa que mantém associados unidos há gerações. Na Gespública, o gestor que só mede crises esquece os serviços que funcionam todos os dias sem alarde, sustentados por servidores que cumprem sua função com dignidade invisível. Reconhecer o que floresce não é ingenuidade, é disciplina de atenção. É essa disciplina que este texto convida a cultivar, a mesma que transforma terra em colheita, gestão em comunidade e poder público em serviço genuíno.

Daniel Kahneman, psicólogo vencedor do Prêmio Nobel de Economia, dedicou parte de sua obra a demonstrar que perdas pesam psicologicamente mais que ganhos equivalentes, fenômeno que ele e Amos Tversky chamaram de aversão à perda dentro da teoria do prospecto. Essa descoberta científica confirma, em linguagem contemporânea, o que cooperativistas e gestores públicos experientes intuíram ao longo dos anos de prática associativa, a mente humana é uma sentinela voltada para o perigo, não um termômetro equilibrado de bem-estar coletivo. Ainor Lotério trata desse tipo de armadilha emocional no artigo Não Viva Refém da Pressa e da Ansiedade dos Outros, disponível em: https:/loterio.com.br/nao-viva-refem-da-pressa-e-da-ansiedade-dos-outros/, no qual mostra como a urgência alheia pode sequestrar o julgamento de quem lidera uma cooperativa ou um órgão público, fazendo o gestor reagir ao medo em vez de planejar com clareza.

A IMPREVISIBILIDADE DA VIDA E A NECESSIDADE DE COOPERAÇÃO

A consciência de que a vida é por natureza imprevisível é justamente o que torna o associativismo uma resposta racional e não apenas sentimental aos desafios humanos. Se o futuro fosse previsível, a cooperação seria opcional. Como ele não é, unir-se a outros produtores, trabalhadores ou cidadãos torna-se estratégia de sobrevivência coletiva, tema desenvolvido por Ainor Lotério em A Consciência da Imprevisibilidade da Vida, disponível em: https://loterio.com.br/a-consciencia-da-imprevisibilidade-da-vida/ . Robert Owen, um dos pioneiros do pensamento cooperativista, já defendia no século XIX que o bem-estar do trabalhador dependia de ambientes de produção organizados em torno da cooperação mútua, e não da competição isolada. A psicologia contemporânea apenas confirma o que o cooperativismo histórico já havia compreendido na prática.

A FELICIDADE CORPORATIVA E O PERTENCIMENTO NO AMBIENTE DE TRABALHO

A psicóloga Barbara Fredrickson, em sua teoria broaden and build, demonstrou que emoções positivas ampliam o repertório de pensamento e ação das pessoas, enquanto estados de medo e ansiedade estreitam a percepção para apenas reagir à ameaça imediata. Identidade, autoestima e reciprocidade, elementos que Ainor Lotério explora em Felicidade Corporativa, Identidade, Autoestima e Reciprocidade no Ambiente de Trabalho, disponível em: https://loterio.com.br/felicidade-corporativa-identidade-autoestima-e-reciprocidade-no-ambiente-de-trabalho/ , não são luxo organizacional, são a base estrutural sobre a qual se constrói qualquer associativismo duradouro.

A LIBERDADE DE ESCOLHA DO GESTOR PÚBLICO E COOPERATIVISTA

Viktor Frankl, psiquiatra que atravessou os campos de concentração nazistas e fundou a logoterapia, escreveu que entre o estímulo e a resposta existe um espaço, e nesse espaço reside a liberdade humana de escolher sua atitude. Essa liberdade é exatamente o que separa gestão pública reativa de liderança cooperativista consciente, e dialoga diretamente com o que Ainor Lotério propõe em Viver com Ideal e Razão, o Verdadeiro Espírito Empreendedor Sustentável na Longevidade, disponível em:  https://loterio.com.br/%f0%9f%8c%b1-viver-com-ideal-e-razao-o-verdadeiro-espirito-empreendedor-sustentavel-na-longevidade/ , onde defende que o ideal guiado pela razão, e não pelo impulso emocional do momento, é o que sustenta empreendimentos coletivos duradouros.

A AGROSOFIA E A LIÇÃO DO ABACAXI PARA A GESTÃO PÚBLICA

Na perspectiva da Agrosofia, filosofia de vida que integra agricultura, espiritualidade e gestão desenvolvida por Ainor Lotério, esse princípio encontra raízes na própria observação da terra. No artigo O Fruto que Ensina a Esperar, Agrosofia do Abacaxi, disponível em https://loterio.com.br/o-fruto-que-ensina-a-esperar-agrosofia-do-abacaxi/, Ainor utiliza o cultivo do abacaxi como metáfora para o tempo de maturação necessário a qualquer processo coletivo, seja uma cooperativa, uma política pública ou uma associação comunitária. Nenhum agricultor sábio mede sua lavoura apenas pelas pragas que ataca a plantação. Da mesma forma, o gestor público sábio não mede sua gestão apenas pelas crises enfrentadas, mas também pelos frutos que amadurecem com paciência e trabalho coletivo.

A LONGEVIDADE INSTITUCIONAL E A SABEDORIA DO ENVELHECER COM ALEGRIA

Aristóteles, na Ética a Nicômaco, já afirmava que a felicidade não é um estado passageiro de prazer, mas uma atividade da alma em conformidade com a virtude, exercida ao longo de uma vida inteira. Esse mesmo princípio orienta o texto de Ainor Lotério Como Encarar o Processo de Envelhecimento com Alegria e Sabedoria, escrito a partir de sua experiência em Caibaté, RS, disponível em: https://loterio.com.br/como-encarar-o-processo-de-envelhecimento-com-alegria-e-sabedoria-caibate-rs/ , no qual a maturidade é tratada não como decadência, mas como acúmulo de sabedoria útil à liderança coletiva. Instituições, cooperativas e gestões públicas também envelhecem, e a forma como encaram esse processo determina se a experiência acumulada se torna sabedoria orientadora ou apenas peso burocrático.

A COOPERAÇÃO COMO PRODUTORA DE FELICIDADE NA AGRICULTURA FAMILIAR

O psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, estudioso do estado de fluxo, demonstrou que pessoas atingem seu melhor desempenho quando existe equilíbrio entre desafio e reconhecimento de competência. Esse equilíbrio aparece de forma concreta no relato de Ainor Lotério sobre Cooperação e Produção de Felicidade na Agricultura Familiar, em Lebon Régis, SC, disponível em: https://loterio.com.br/cooperacao-e-producao-de-felicidade-na-agricultura-familiar-lebon-regis-sc/, onde a cooperação entre famílias produtoras se revela fonte direta de bem-estar coletivo. Liderar uma cooperativa, uma associação ou uma instituição pública é, portanto, um ato de administração consciente da atenção, capaz de transformar simples gestão em verdadeira comunidade.

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