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QUANDO OS JOVENS SAÍRAM DO AGRO, A BOLA TAMBÉM FOI EMBORA.

O CAMPO DE BARRO ERA TAMBÉM UM CAMPO DE VIDA. Quem cresceu no interior sabe o que era um domingo de futebol na comunidade.

Há um campo que nenhum mapa registra. Fica atrás da casa, ao lado da roça, no terreno que o pai limpou aos domingos. Ali a trave é feita de dois paus fincados, a linha lateral é onde termina a plantação, e o juiz é o mais velho que grita mais alto. Esse campo tem nome de comunidade, sotaque de interior e cheiro de terra molhada.

Reter a juventude no campo não é prendê-la à enxada. É oferecer futuro onde ela nasceu: renda digna, acesso, tecnologia, cooperativismo, lazer e pertencimento. É fazer com que ficar seja escolha, e não resignação. Porque o jovem que enxerga horizonte na própria terra é o mesmo que, no fim da tarde, ainda calça a chuteira e mantém a bola rolando.


QUANDO OS JOVENS SAÍRAM DO AGRO, A BOLA TAMBÉM FOI EMBORA

O futebol no meio rural nunca foi só futebol. É o encontro depois da lida, é a folga que aproxima vizinhos, é a maneira que o interior encontrou de virar torcida de si mesmo. A bola rola sobre a grama irregular, sobre o chão de barro que levanta poeira, sobre o campo que também é lavoura. Onde a juventude fica, a bola tem quem chute. Onde a juventude parte, o campo silencia.

Havia um tempo em que o campo tinha barulho de gente. Time de futebol na comunidade, salão cheio, festa do padroeiro, missa lotada. Havia jovens. E onde há jovens, há futuro. Hoje muitas comunidades envelheceram em silêncio. As casas continuam de pé, mas as janelas estão fechadas. O campo de futebol virou pasto. A bola, aquela que reunia meninos e meninas ao entardecer, foi embora junto com quem partiu para a cidade.


QUANDO A JUVENTUDE SAI, O QUE FICA PARA TRÁS?

E aqui está o ponto que precisa ser dito com franqueza: quando o jovem rural vai embora, a bola vai junto. Não é apenas mão de obra que a cidade leva. É o goleiro do time da comunidade, é o camisa nove que enchia o campo de gente no fim de tarde, é o filho que herdaria a roça e a paixão pelo jogo. O êxodo rural esvazia a plantação e esvazia a arquibancada improvisada. Primeiro faltam os pés, depois falta o time inteiro, por fim falta a razão de acender o campo.

Fica o silêncio nas ruas que antes tinham riso de criança. Fica a lavoura sem quem a herde, a cooperativa sem quem a renove, a fé sem quem a leve adiante. A saída dos jovens do agro não é apenas uma estatística de êxodo rural. É a perda da alma de um lugar, a interrupção de uma linhagem de saberes, de trabalho e de convivência. Cada jovem que parte leva consigo um pedaço do amanhã. Leva a força do trabalho, a energia das festas, a esperança de continuidade.

Mas nem tudo está perdido. O agro que oferece dignidade, conectividade, tecnologia, oportunidade e pertencimento é o agro que consegue segurar os seus filhos na terra. Quando o jovem enxerga futuro no campo, a bola volta a rolar, o salão volta a encher e a comunidade volta a viver.


Assista ao vídeo com a reflexão que faço sobre esse tema e leia o artigo completo, disponibilizado gratuitamente em PDF: QUANDO OS JOVENS SAÍRAM DO AGRO, A BOLA TAMBÉM FOI EMBORA – A saudade de uma alegria que não se compra

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