Introdução
Quem conta votos no campo já errou a conta da vida.
Há um erro de base que atravessa muitas gestões públicas municipais, e é preciso nomeá-lo com coragem. É o erro de avaliar a agricultura pela urna. O gestor sem visão olha para o campo, vê que ali moram poucos, que dali saem poucos votos, e conclui que a agricultura é coisa pequena. Está usando a régua errada. E quem mede com a régua errada erra a obra inteira. Neste artigo, apresento quatro critérios que nenhum mandato tem o direito de ignorar, do território que sustenta a cidade até a mesa onde o alimento se torna o nosso próprio corpo.
O TERRITÓRIO E A NOBREZA DE QUEM PRODUZ
A maior parte da área de qualquer município é área rural. É dali que vem a água que abastece a cidade, o solo vivo que produz, a mata que respira e equilibra o clima. E não há nada mais importante do que o alimento. Podemos viver sem inúmeros luxos, mas ninguém vive sem comer. Enquanto houver fome no mundo, produzir alimento será a mais nobre das tarefas humanas.
A AGRICULTURA QUE TRANSBORDOU PARA A CIDADE
Aqui está o ponto que a Agrosofia faz questão de sublinhar. A agricultura não ficou presa aos que permaneceram na roça. Ela transbordou os limites do campo, está na horta urbana, no quintal produtivo, na horta da escola onde a criança descobre que o alimento nasce da terra e não da prateleira. Do lote rural ao vaso da varanda, ela chega, no fim do dia, à nossa mesa.
QUANDO SE TROCA O ALIMENTO PELA FLOR
Certos gestores cometeram o equívoco de transformar a Secretaria de Agricultura em um departamento de paisagismo, cuidando de canteiros de flor enquanto o produtor rural ficava órfão de assistência. Confundiram ornamentar com desenvolver, enfeitar a cidade com alimentar a cidade. A associação não morre por decreto. Ela morre por abandono.
A agricultura pede que a olhem com a régua certa. E a régua certa nunca foi a urna. Foi sempre a vida.
Leia o artigo completo no arquivo em PDF disponível abaixo: A RÉGUA ERRADA: POR QUE NÃO SE MEDE A AGRICULTURA PELO NÚMERO DE ELEITORES